House of Cards

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Pedi ideias do que escrever aqui no blog e a leitora Fernanda Candaten sugeriu falar de House of Cards. Fiquei muito contente, considerando que é uma das melhores séries da atualidade, na minha humilde opinião.

Se você ainda não assiste House of Cards, sugiro que coloque imediatamente na sua lista de maratonas urgentes a fazer. A primeira série original da Netflix está em sua quarta temporada e com a Casa Branca pegando fogo. Mas mesmo tratando-se de uma trama de ficção sobre o governo norte-americano, as comparações com o cenário político brasileiro atual é inevitável.

Adaptada de uma minissérie homônima da BBC (que por sua vez é baseada no livro de Dobbs Michael), House of Cards traz como seu protagonista o congressista democrata Frank Underwood (Kevin Spacey em um de seus melhores papéis). Ele tinha certeza que, com a vitória do novo presidente que ajudou a eleger, a função de Secretário de Estado estaria garantida. Porém, o presidente volta atrás de sua promessa e mantém Frank na Câmara. A partir daí, Underwood inicia uma série de esquemas e manipulações, juntamente com a sua esposa Claire (Robin Wright divando e roubando a cena), que irão decidir o futuro do governo dos Estados Unidos. Imprensa, recursos públicos, relações pessoais, nada está a salvo quando o assunto é poder.

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Se fosse apenas isso, a série já seria muito boa. Mas a direção e o roteiro são impecáveis (junto, claro, com a atuação incrível de todo o elenco). Às vezes pode parecer confuso entender as maquinações do político, com diálogos rápidos e afiados, mas utilizando o recurso da quebra da quarta parede (a quarta parede refere-se ao teatro, como se houvesse uma parede separando o palco do público), Underwood conversa conosco deixando claro todo o desprezo pelos que o cercam. Aliás, as intervenções do protagonista ao conversar com a câmera são ótimas!

Não é de hoje que há comparação entre o seriado e a política brasileira. A mais recente foi feita pelo jornal alemão Die Ziet, quando publicou há duas semanas uma matéria em que dizia “Por estes dias, é difícil entender por que ainda há pessoas que se interessam por House of Cards. Elas não acompanham as notícias da política brasileira?”.

É mesmo bem interessante traçar paralelos entre ambas as teias de intrigas e ver que, infelizmente, a realidade não está tão longe da ficção.

No caso do show, Frank toma decisões em prol da economia que ferem a sua popularidade, utiliza de momentos de perigo da segurança nacional para alavancar sua imagem e ameaça pessoas na mesma proporção que coleta favores. Como ele mesmo diz, na segunda temporada, “a democracia é superestimada”.

Dá até um certo medo em nos envolvermos a ponto de torcermos por personagens tão maquiavélicos e inescrupulosos.

(Atenção, spoilers)

Na sua quarta temporada, o casal Underwood se torna o centro de toda a trama. Frank tendo que governar e fazer sua campanha para a presidência, ao mesmo tempo em que lida com as consequências de suas ações no caminho da sua ascensão. Enquanto isso, Claire não quer mais ser coadjuvante nesta história toda, e mostra que é páreo para brigar de igual para igual com o marido. Inclusive, estava apreensiva quanto aos planos da Primeira Dama, que a briga entre os dois acabasse destruindo o legado que tentavam deixar. Mas Claire é muito mais esperta que isso e Frank soube segurar sua companheira ao seu lado, mostrando que separados eles são fortes, mas juntos são imbatíveis.

Enquanto isso, o candidato republicano, Will Conway (Joel Kinnaman, da série The Killing e do remake de Robocop), chega para roubar a cena. Utiliza (e muito bem) as mídias sociais para disseminar a sua figura de jovem soldado atraente com a família digna de comercial de margarina. Mostrando como a opinião pública pode ser facilmente manipulada por uma linda imagem.

Neste meio tempo, ainda somos lembrados dos acontecimentos da primeira temporada, através de um jornalista em busca da verdade sobre o presidente.

A cena final da temporada é tão impactante de maneira tão simples que me deixou deprimida em saber que terei que esperar ainda mais um ano até ver o que vai acontecer na vida dos Underwoods.

(Fim dos spoilers)

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Basicamente, se vocês gostam de boas histórias com diálogos inteligentes e atuações incríveis, assistam House of Cards. Depois me avisem nos comentários se gostaram. E se já assistem, contem o que acharam da quarta temporada (ou de qual temporada vocês já assistiram). Quero ler a opinião de vocês.

Até a próxima.

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"Jornalista pós- graduada em cinema, viciada em cultura pop e dependente de um app para organizar toas as séries que assiste."

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2 comentários

  1. Felipe Augusto

    Digamos que a serie mostra como a ambição pode ficar ilimitada e se transformar facilmente em ganancia.
    Ótima dica, excelente texto.
    Infelizmente, com o que temos passado no Brasil, House of Cards mais se parece com a Peppa Pig. hehe

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    1. Carol Bonamigo
      Carol Bonamigo

      É Felipe.. Infelizmente nosso cenário político atual já está nesse nível, superando a ficção.
      Mas realmente, a série é incrível!

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